Depois de 18 anos de carreira, Ronaldo, enfim, pendurou as chuteiras. Em entrevista coletiva no início da tarde desta segunda-feira, no Centro de Treinamento do Corinthians, o atacante admitiu cansaço pela sequência de lesões e falou que não tem mais como prosseguir no futebol.

O anúncio do fim da carreira deixou Ronaldo bastante emocionado. Em vários momentos ele teve a voz embargada, chorando em alguns instantes, mas não deixou de agradecer pelos momentos que viveu com a bola rolando. “Minha carreira foi linda, maravilhosa, emocionante, com muitas derrotas e infinitas vitórias”.

Ronaldo atribui a antecipação do encerramento de sua carreira -ele pensava em parar somente ao fim de 2012- ao seu histórico de lesões. Também revela que há quatro anos descobriu que sofria de hipotireoidismo. O tratamento para essa condição é hormonal, o que não é permitido em virtude das políticas antidoping.

Ronaldo agradece patrocinadores, críticos, torcedores e clubes. “Agradeço a todos que me criticaram e que me ajudaram a ser mais fortes”. Ronaldo também valoriza todo o apoio recebido pela torcida brasileira.

Com voz embargada, Ronaldo saudou a torcida do corintians. “Às vezes a cobrança por resultados faz dessa torcida um pouco exagerada”. “Eu nunca vi uma torcida tão entregue, tão empolgante, tão apaixonada a um time de futebol”.

Ronaldo pediu também desculpas aos torcedores pelo fracasso na Libertadoes. Além de agradecer a Andres Sanchez, Ronaldo se dispôs a assumir alguma função e colaborar com o Corinthians: “Continuarei ligado e vinculado ao clube da maneira que você quiser, presidente”.

A notícia de que o camisa 9 corintiano encerraria a carreira nesta segunda surgiu ontem e se espalhou pela internet. Ronaldo admite o cansaço e que o corpo não acompanha mais a velocidade do raciocínio: “eu queria continuar, mas não consigo. Penso uma jogada, mas não executo como quero. Tá na hora. Mas foi lindo pra caramba”, disse em entrevista ao jornal O Estado de São Paulo.

A CARREIRA

Em 18 anos de futebol, Ronaldo encontrou seu maior sucesso com a camisa da seleção brasilera. Ele foi um dos destaques na campanha do pentacampeonato, em 2002, e figurou no elenco tetracampeão, em 1994, quando tinha apenas 17 anos de idade.

Nos clubes, alcançou sucesso logo onde foi revelado. No Cruzeiro, foi artilheiro do Campeonato Mineiro e, logo despertou a atenção dos grandes clubes europeus. Assim, foi vendido para o PSV Eindhoven e 1994. Na Holanda, não conquistou títulos importantes, mas foi novamente artilheiro.

Em 1996, trocou o PSV pelo Barcelona por US$ 20 milhões. E, na Espanha, começou a ser considerado um fenômeno. Pela velocidade, habilidade e facilidade em fazer gols. Deixou a Catalunha para jogar na Inter de Milão, onde teve seu momento mais importante o título da Copa da Uefa.

Em Milão, sofreu suas primeiras contusões no joelho. Em 2000, teve ruptura do tendão patelar que o afastou dos gramados por um ano e cinco meses. Mas voltou a atuar a tempo de ser campeão mundial pelo Brasil. Após o Mundial de 2002, foi para o Real Madrid.

No clube merengue, formou o esquadrão dos galácticos, com Beckham, Zidane, Raúl e Figo, mas não foi além de um Mundial Interclubes e dois Campeonatos Espanhóis. Em 2007, foi para o Milan, mas sem passagem gloriosa. Machucou-se no início de 2008 seriamente e, no fim do ano, voltou ao Brasil.

O acerto com o Corinthians era para dois anos. No primeiro, sagrou-se campeão paulista e da Copa do Brasil. Teve seu nome sugerido na seleção brasileira, mas, em 2010, voltou a brigar com a balança. O excesso de peso diminuiu seu rendimento e aumentou as lesões. Não conseguiu mais entrar em forma até o início de 2011, que culminou com a eliminação na Libertadores. Diante de novo fracasso, o Fenômeno pôs fim à carreira.